Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Entenda a Palavra de Deus

Entenda a Palavra de Deus

Preciso de uma Igreja?

«Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, aos SANTOS E IRMÃOS fiéis em Cristo, que estão em Colossos: Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.» (Colossenses 1:1,2)

 

Há uma frase muito impactante, popular e verdadeira que diz: «Ir à igreja não faz de ti um cristão!»

Mas, a frase mais certa seria: «Se tu és realmente um cristão, congregarás com outros cristãos numa igreja local!»

 

«SANTOS». Se nos devotássemos a ler, estudar e meditar na Palavra de Deus, perceberíamos que a palavra «santo» nunca ocorre no singular. A santidade não pode ser uma virtude privada, um exercício solitário: é conjuntamente e em Cristo Jesus que somos santos. É conjuntamente que devemos buscar a santidade. Separado do mundo, dedicado a Deus: é isso que o primeiro termo sugere, enquanto que, ao mesmo tempo, nos prepara para o segundo.

«IRMÃOS». Isto segue-se logicamente à ideia de ser separado. Verdadeiramente, Deus tem-nos separado do mundo, mas, ao separar-nos do mundo, introduziu-nos numa família, porque o cristão é, por natureza e chamada, um «irmão».
Esta palavra «irmão» também significa que o cristão não pode fazer só a sua própria vontade ou «segui-la sozinho». Não foi feito para a solidão, mas para a solidariedade, e esta solidariedade tem de ser num sentido prático. Não é suficiente para o cristãos dizer que, espiritualmente pertence à igreja universal. Embora um tal vínculo seja de primeira importância, não é suficiente por si mesmo.

O cristão tem de ser verdadeiramente um irmão, isto é, ele deve dar e receber, amar e ser amado, chorar com os que choram, alegrar-se com os que se alegram; deve também buscar a vontade de Deus na companhia dos seus irmãos e aceitar a necessidade de uma disciplina comum, no seio da família espiritual local à qual pertence. Dentro desta estrutura de relações fraternais pode crescer em aspectos de ordem prática. É esta a razão porque é um privilégio estar ligado à igreja, ou melhor ainda, ser um membro da igreja – do Corpo de Cristo.

Mas, tanto a irmandade como a santidade, só podem existir em Cristo: «IRMÃOS EM CRISTO». Se procurarmos uma irmandade fora de Cristo esperam-nos grandes desapontamentos. Procurar isso na linha das nossas preferências e afinidades dentro de um grupo social particular, com interesses ou inclinações comuns, é convidar o insucesso e o desaire. Podemos escolher os nossos amigos, mas não os nossos irmãos; exactamente como estes nos são «dados» na família humana, também nos são dados «em Cristo». Seja o que for que possamos pensar, eles são o melhor e o mais útil para o nosso eterno bem. A escolha de Deus é sempre a melhor. Não somente devemos viver ou conviver com eles, mas não podemos viver sem eles!

«Nós sabemos que passámos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama o seu irmão permanece na morte.» (1 João 3:14).

 

congregar.jpg

 

Congregar é preciso

Muitos crentes de hoje não gostam de ir à igreja e tampouco se importam em ter comunhão com os irmãos seja onde for. Eles dizem que Jesus nunca ligou às instituições religiosas do seu tempo e que nós também não lhes devemos ligar. É verdade que nosso Senhor afirmou que a era do templo judaico com os seus sacrifícios estava a chegar ao fim por causa da sua obra salvífica. Contudo, textos como Lucas 5.14 mostram-nos que não é correcto dizer que Jesus não estava nem aí para as instituições de culto da sua época enquanto ainda vigoravam.

 

Geralmente, quem critica a existência de igrejas organizadas, busca amparo nos evangelhos porque eles narram os episódios que ocorreram numa época em que as igrejas locais ainda não haviam surgido. As igrejas locais só começaram a aparecer a partir de Atos 2! Mesmo assim, o facto é que, se a história dos evangelhos não nos mostra Jesus e os seus seguidores a ir à igreja, essa história diz-nos, pelo menos, que Jesus edificaria a sua igreja (Mt 16.18) e que ela deveria ser um grupo unido que teria que zelar pela pureza interna, chegando a expulsar do seu meio os pecadores rebeldes (Mt 18.17).

 

Os cristãos anti-igreja (é até estranho falar assim. Parece o mesmo que falar de médicos anti hospital) também afirmam que na presente dispensação, o templo do Espírito Santo é o corpo do crente, de forma que o cristão não precisa de ir à igreja, podendo adorar Deus dentro de si mesmo. Bem, isso é verdade, mas é só parte da verdade. O NT diz que o templo do Espírito Santo não é só o corpo do cristão. Segundo o ensino paulino, os crentes da igreja de Éfeso formavam um edifício bem ajustado que "crescia" como um "templo santo", sendo todos "juntamente edificados para morada de Deus em Espírito" (Ef 2.20-22). Assim, segundo o apóstolo, os crentes unidos também formavam um templo santo e esse lado deve ser levado em conta quando se fala sobre o compromisso do crente com uma igreja local.

 

Deve-se acrescentar a tudo isso o facto de que o NT dá importância vital à igreja como um grupo formalmente organizado. O trabalho missionário dos apóstolos consistia de formar igrejas locais com pastores e tudo (At 14.23) e depois fortalecê-las (At 15.41; 16.5). Os crentes mencionados na Bíblia primavam por se reunir como igreja (At 2.44-47; 11.26; 1Co 14.26). O autor de Hebreus criticou os que abandonavam a sua congregação (Hb 10.25) e João disse que os que saíam da igreja eram pessoas que não pertenciam ao povo salvo (1Jo 2.19).

 

Além disso, Paulo, Pedro, Tiago e João dedicaram as suas cartas ao propósito de encorajar, ensinar, corrigir, exortar e proteger igrejas locais. O próprio Jesus, no Apocalipse, dirigiu-se a líderes de igrejas locais exortando-os a corrigir o que havia de errado nas suas vidas e nas comunidades pelas quais eram responsáveis, tudo para que essas comunidades fossem preservadas (Ap 1-2). Na verdade, cá entre nós, é curioso encontrar crentes que dizem ser contra algo que os apóstolos lutaram tanto para proteger. Pessoas com essas ideias parecem  alinhar-se mais com o islamismo (que sonha com o fim de todas as igrejas e proíbe a sua organização nos países muçulmanos) do que com o cristianismo!

 

A questão que aparece, então, a partir disso tudo, é a seguinte: O que é congregar? Notem bem: congregar não é necessariamente fazer parte de uma denominação evangélica, nem ir a um edifício religioso (que alguns ainda chamam de templo). Na verdade, é possível alguém congregar numa casa, no salão nobre de um hotel, numa escola ou até debaixo de uma árvore. Por outro lado, o dever de congregar, no sentido pleno, não é realizado em simples reuniões com violão, compartilhar e pipoca! Gente que participa de grupos de estudo bíblico nas casas ou na faculdade faz algo muito bom e deve continuar a fazê-lo. Contudo, o congregar-se no sentido apontado pelo NT não se realiza plenamente assim.

 

Para que alguém congregue nos moldes fixados pela Bíblia é necessário que a pessoa se associe "formalmente" a uma igreja local, não sendo mero frequentador, mas  identificando-se com os demais discípulos e participando dos ideais, desafios, alegrias e lutas da comunidade (At 13.1-3; 14.27; 15.22,30-31; 2Co 8.19). É necessário que esteja sob uma liderança eclesiástica constituída por pastores, diáconos e outros líderes que lhe deverão oferecer ferramentas para sua edificação espiritual (Ef 4.11-14; Fp 1.1; Hb 13.17). É também preciso que detecte os dons espirituais que o Espírito Santo lhe deu e os coloque a serviço do corpo de que é membro, visando o aperfeiçoamento de todos (Rm 12.3-8; 1Co 12.1-27; Ef 4.16). É ainda fundamental que celebre a Ceia do Senhor em plena comunhão com os seus irmãos, anunciando a morte do Senhor até que ele venha, conforme Paulo ensinou (1Co 11.23-34). Também precisa participar de processos disciplinares, admoestando irmãos que estão em pecado e participando de reuniões dolorosas em que os impenitentes são expulsos da igreja na busca de pureza (1Co 5.1-13). Isso sem falar no seu dever geral de observar como "comportar-se na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo" (1Tm 3.14). Todas essas coisas (e algumas outras) compõem a vida eclesiástica nos padrões encontrados no NT. Por isso, para realmente "congregar" é preciso que o crente participe disso tudo.

 

É verdade que na realidade presente, com um monte de pastores mentirosos espalhados por aí e milhares de igrejas desviadas da verdade, fica difícil para o crente zeloso encontrar um grupo dentro do qual possa envolver-se alegremente desse modo. Porém, o Senhor conhece os que são seus e, certamente, honrará a busca de quem quer fazer a sua vontade, colocando no caminho do seu servo uma igreja séria com a qual poderá cooperar. O Senhor poderá até reunir crentes sedentos e orientá-los na formação de igrejas bíblicas, tudo do jeitinho certo descrito no NT. O que não pode acontecer é o cristão revoltar-se contra o conceito de igreja local, pois isso equivaleria a insurgir-se contra um dos objectos mais preciosos aos olhos de Deus. Afinal de contas, foi a igreja local pastoreada por Timóteo que Paulo chamou de "a casa de Deus... coluna e fundamento da verdade" (1Tm 3.14).

 

Pr. Marcos Granconato
Non nobis Domine

 

igreja_corpo_de_cristo.jpg