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Entenda a Palavra de Deus

Entenda a Palavra de Deus

Voltando aos Fundamentos

Para “fazer teologia”, como se costuma dizer, temos de empregar o pensamento antitético. Isso significa que se afirmamos uma doutrina, também temos de negar o seu oposto. Tal raciocínio é a base de toda a racionalidade; é uma função necessária da mente humana. Não só isso, também é consistente com os ensinos da Bíblia.

Por exemplo, consideremos a declaração: “Só a Bíblia é a palavra de Deus para o homem”. Se esta afirmação for verdadeira, exclui todas as outras fontes de revelação e autoridade. Exclui as tradições do catolicismo romano como meio de revelação exclui o livro dos Mórmons, o Alcorão e o Vedas. Também exclui os escritos de Ellen G. Withe e os de Mary Baker Eddy.

Nós, que acreditamos que a Bíblia é a única fonte da revelação de Deus, não esperamos que qualquer revelação adicional passe pelos lábios de gurus, profetas, evangelistas e pregadores da fé. Ninguém jamais pode afirmar que Deus lhe revelou algo novo sobre o Espírito Santo, ou Jesus Cristo, ou novas profecias. Cremos que pode haver um modo melhor de explicar o que Deus nos revela pode haver aprofundamento na compreensão, mas somos limitados pelas palavras de Deus nas páginas das Sagradas Escrituras. Se alguém diz: “O Senhor disse-me que …” podemos até considerar a sua afirmação interessante às vezes, a pessoa pode estar certa sobre a experiência que teve, porém não podemos tomar esta “revelação” como a Palavra de Deus inerrante.

Assim que tomamos a Bíblia como base única para toda a doutrina, descobrimos que ela própria nos ajuda a definir quais são as doutrinas inegociáveis. Não ficamos sozinhos para decidir onde deve ser traçada a linha limítrofe entre a verdade e o erro. O Novo Testamento, ao longo das suas páginas, assevera-nos constantemente que a doutrina da salvação _ e o agrupamento de doutrinas que a apoiam _ é de extrema importância. Isto faz sentido quando percebemos que a pergunta mais importante a ser respondida é como podemos ter a certeza de que passaremos a eternidade com Deus.

Paulo advertiu os crentes da Galácia dizendo-lhes que alguns deles estavam a tentar perverter o evangelho de Cristo. E acrescentou: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema [maldito]. Assim como já vos dissemos, agora de novo também vos digo: se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema” (Gálatas 1:89).

Imagina! Um anjo aparece-nos e diz que o caminho para o céu é ser uma pessoa amorosa e decente.

Tu ficarias surpreendido com quantos creriam nessa revelação. A prova disso é que o livro dos Mórmons foi revelado por um “anjo”, que deu a Joseph Smith a revelação de um evangelho completamente diferente do evangelho de Cristo e milhões crêem na sua mensagem.

Têm ocorrido aparições de Maria com um evangelho adulterado, e santuários são construídos em honra dessas aparições. Ou, no caso dos “evangelistas-falsos-profetas”, têm surgido revelações de Jesus com um evangelho adulterado. Paulo diria: “Malditas sejam tais revelações!”

Paulo confrontou Pedro só porque ele deu uma impressão errada sobre o evangelho. Vê o que aconteceu: Pedro deixou de comer com os gentios quando os judaizantes apareceram em cena, dando a impressão de que estava a tomar o partido dos mestres que defendiam que temos de ser salvos por Cristo mais o cumprimento da lei. Até onde sabemos, Pedro nunca disse uma palavra sobre o conteúdo do evangelho apenas se recusou a comer com os que criam que a salvação era um dom gratuito de Deus pela fé.

Paulo ficou furioso! A simples impressão de que Pedro acreditava que os judaizantes poderiam estar certos foi razão suficiente para Paulo o confrontar publicamente.

“E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme na verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os

gentios e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?” (Gálatas 2:11‐14)

 

Paulo então afirmou que somos justificados pela fé em Cristo e não pelas obras da lei (v. 16). Não te enganes: a clareza do evangelho é uma doutrina pela qual devemos estar dispostos a dar as nossas vidas.

Qual é este evangelho? É simplesmente “crer em Jesus”?

Não, pois a realidade em que vivemos mostra‐nos que há muitos falsos mestres que também acreditam. Aliás, o Diabo também crê e nunca será salvo. Para mostrar como “fazer boa teologia” vou esboçar as doutrinas básicas do evangelho e mostrar o que é negado pelo que é afirmado. Neste processo a maior parte das heresias, antigas e modernas, serão minadas.

 

Baseado no livro: "Quem é você para julgar?"

Erwin W. Lutzer

 

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