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Entenda a Palavra de Deus

Entenda a Palavra de Deus

Se somos salvos, a nossa fé permanecerá até ao fim

Continuação:

No entanto, convém esclarecer isto. Perseverar na fé não significa que os santos não passam por tempos de dúvida, trevas espirituais e falta de confiança nas promessas e na bondade de Deus. “Ajuda-me na minha falta de fé” (Marcos 9:34) não é uma oração contraditória.

Portanto, o que queremos dizer quando afirmamos que a fé tem de perseverar até ao fim, queremos dizer que nunca chegaremos ao ponto de renunciar a Cristo com tal dureza de coração que nunca  mais voltaremos para Ele, em vez disso, só provaremos que fomos hipócritas na fé que professámos. Podemos encontrar um exemplo desse tipo de dureza em Esaú.

 

"Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem. E ninguém seja devasso, ou profano, como Esaú, que por uma refeição vendeu o seu direito de primogenitura. Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que com lágrimas o buscou" Hebreus 12:15-17

 

Esaú tornou-se tão endurecido espiritualmente e tão insensível no seu amor por este mundo, que, quando tentou arrepender-se não o pôde fazer. Tudo o que ele pôde fazer foi chorar pelas consequências da sua tolice e não pela verdadeira feiura do seu pecado ou pela desonra que lançou sobre Deus, ao preferir uma simples refeição ao direito da primogenitura.

 

Por outro lado, o Novo Testamento esforça-se para assegurar-nos  que não nos desesperemos, pensando que o desvio e a inconstância no pecado é um caminho sem volta. É possível arrepender-se e voltar. Esse processo está incluído na “perseverança dos santos”. Por exemplo, Tiago disse: “Aquele que converte o pecador do seu caminho errado salvará da morte a alma dele e cobrirá multidão de pecados” (Tiago 5:20). E João disse: “Se alguém vir o seu irmão cometer pecado não para morte, pedirá, e Deus lhe dará vida… Toda a injustiça é pecado, e há pecado não para morte” (1 João 5:16-17)

 

O alvo de João, nestas palavras, era dar esperança aos que fossem tentados a desesperar-se e aos que os amavam e oravam por eles. João começou a sua epístola da maneira como a terminou: "Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça” (1 João 1:8-9).

 

Portanto, quando falamos da necessidade (e da certeza, como veremos em seguida) de perseverança, não queremos dizer perfeição. E não queremos dizer que não há lutas e incredulidade séria. Temos de guardar no nosso coração e na nossa mente as doutrinas da graça que temos vindo a estudar. Pertencer a Cristo é uma realidade sobrenatural, produzida por Deus e preservada por Ele "E farei com eles uma aliança eterna de não me desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor nos seus corações, para que nunca se apartem de mim." (Jeremias 32:40).

 

Os santos não são marcados mais profundamente pelo que fazem e sim pelo que são. Eles nasceram de novo. São uma nova criação. Não entram e saem desta novidade. Ela é obra de Deus. É também irrevogável. Mas o seu fruto em fé e obediência é um combate até ao fim. E a perseverança diz: o combate será realizado e não será perdido no final.

 

Próximo post: A Obediência, que Evidencia a Renovação Interior Realizada por Deus, é Necessária para a Salvação Final