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Entenda a Palavra de Deus

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Raízes míticas atribuídas à doutrina e práticas cristãs _ "A ressurreição"

Um suposto exemplo de ressurreição em mitos antigos é proporcionado pelo primitivo culto egípcio de Ísis e Osíris. O mito narra que Osíris é assassinado pelo seu irmão Seth que então afunda o caixão que contém o corpo de Osíris no rio Nilo. A esposa de Osíris, Ísis, a deusa do céu, da terra, do mar, e do invisível mundo inferior, descobre o corpo do marido e leva-o de volta para o Egipto. Porém, Seth recupera o corpo, corta-o em quatorze pedaços e espalha as suas partes por uma extensa área. Ísis reage, e recupera os pedaços. Nash continua:

 

«É neste momento que a linguagem usada para descrever o que se segue é crucial. Às vezes, aqueles que contam a história satisfazem-se dizendo que Osíris voltou à vida. (Como mostrarei adiante, até mesmo essa declaração é excessiva.) Mas alguns escritores vão muito além e referem-se à 'ressurreição' de Osíris.»

 

Nash complementa numa reflexão posterior:

 

«Quais os deuses de mistério que efectivamente experimentaram uma ressurreição dos mortos? Com certeza, nenhum texto antigo se reporta a qualquer ressurreição de Átis. Tentativas de ligar a adoração de Adónis à ressurreição são igualmente frágeis. Nem é mais forte o caso da ressurreição de Osíris. Depois de Ísis reunir as partes do corpo desmembrado de Osíris, ele tornou-se "o Senhor do Mundo Inferior". Como comenta Metzger: 'É questionável se isso pode ser chamado com justiça de ressurreição, especialmente quando, de acordo com Plutarco, era o piedoso desejo dos devotos ser enterrado no mesmo chão onde, conforme a tradição local, jazia ainda o corpo de Osíris.' Portanto, só se pode falar de uma 'ressurreição' nas histórias de Osíris, Átis e Adónis, num sentido que nada tem a ver com a palavra em si. Nenhuma alegação pode ser feita de que Mitra foi um deus que morreu e ressuscitou. O estudioso francês Andre Boulanger conclui: 'A concepção de um deus que morre e ressuscita para conduzir o crente à vida eterna não está presente em nenhuma religião de mistério helenística.'»

 

Se os "deuses-salvadores" mencionados acima podem ser declarados como ressuscitados, então nós precisamos diferenciar a ressurreição de Jesus do ressurgimento dessas divindades. Jesus foi uma pessoa histórica que nunca voltou dos mortos para morrer novamente. Ele apareceu em carne e osso várias vezes antes da sua ascensão, e a história foi contada por testemunhas oculares. James D. G. Dunn conclui:

 

«O paralelo com as visões de Ísis e Esculápio [...] dificilmente se sustenta. Essas foram figuras míticas de um passado obscuro. Nos relatos a respeito de Jesus, nós estamos a falar de um Homem que havia morrido há poucos dias ou semanas antes.»

 

Outro assunto relacionado à ressurreição tem a ver com o intervalo de tempo entre a crucificação e a ressurreição. Admite-se que Átis retornou à vida quatro dias após a sua morte, um relato conta que Osíris foi reanimado dois ou três dias depois de morrer, e até se insinua que Adónis 'ressuscitara' três dias após a morte. No caso dos três, não há nenhum registo anterior ao segundo século d.C. para a suposta 'ressurreição' desses deuses de mistério. Norman Anderson declara:

 

«Se houve algum empréstimo de uma religião para outra, parece claro em que direcção se deu. Não há qualquer evidência, que eu saiba, de que as religiões de mistério tiveram alguma influência na Palestina durante as primeiras décadas do século I d.C. E a diferença entre as experiências mitológicas dessas nebulosas figuras e a crucificação 'sob Pôncio Pilatos' do homem cujas testemunhas oculares atestam a sua morte e ressurreição é mais do que óbvia.»

 

"Respostas Convincentes", pág. 184-186

No próximo post: Raízes míticas atribuídas à doutrina e práticas cristãs _ "O renascimento"

 

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