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Entenda a Palavra de Deus

Entenda a Palavra de Deus

Raízes míticas atribuídas à doutrina e práticas cristãs _ "O taurobólio"

O taurobólio estava principalmente associado ao culto de Cibele e Átis. Foi sugerido como fonte de inspiração de Apocalipse 7:14: «E lavaram as suas vestes [...] no sangue do Cordeiro»; e 1Pedro 1:2: «Para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo». Também foi proposto como a inspiração para o baptismo cristão conforme explicado em Romanos 6. O ritual, do modo descrito pelo escritor antigo Prudêncio, era exigido para a consagração do sumo sacerdote, que se prostrava dentro de uma cova bem funda. A abertura da cova era coberta por uma grelha de madeira trançada. Então, furavam o peito a um touro enorme, enfeitado com flores:

 

"com uma lança sagrada; a ferida aberta jorra uma onda de sangue quente, e o rio fumegante escorre através da estrutura trançada em vagas pulsantes. [...] Uma chuva desaba lançando um jacto imundo que o sacerdote na cova recebe pondo a sua vergonhosa cabeça debaixo de todos os respingos, manchando a sua roupa assim como todo o seu corpo. 

Sim, ele levanta a sua face, põe as suas bochechas no caminho do sangue, encharca as suas orelhas e os seus lábios, interpõe as suas narinas, lava os próprios olhos naquele fluido, não poupa nem mesmo a sua garganta, mas humedece a língua, até que de facto bebe o escuro sangue. [...] 

O pontífice, com uma horrível aparência, vem para cima e mostra a sua cabeça ensopada, a barba pesada devido ao sangue, os filetes gotejando e as vestes empapadas.

Esse homem, sujo por tais contágios e enlameado com os coágulos do recente sacrifício, é saudado e adorado à distância, pois o sangue profano e um boi morto o purificaram enquanto estava oculto numa caverna imunda."

 

Por várias razões, o taurobólio não pode ser a fonte para qualquer doutrina ou prática cristã.

Primeiro, a passagem descreve a consagração de um sumo sacerdote, não de um novo convertido.

Segundo, não há nenhuma indicação de que os cristãos primitivos usassem realmente sangue nos seus rituais. O sangue foi simplesmente um símbolo da doação da vida de Jesus por sua própria vontade, conforme se pode verificar quando nós completamos as palavras de Apocalipse 7:14 propositalmente omitidas no primeiro parágrafo desta secção: «E lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro».

Terceiro, os cristãos (especialmente os cristãos judeus) sentiam repulsa por tal prática. Prudêncio era cristão, e as suas palavras, «jacto imundo», «vergonhosa cabeça», «manchando a sua roupa assim como todo o seu corpo», indicam que ele considerava o rito inteiro como brutal e blasfemo.

Quarto, e mais importante, o taurobólio É QUASE CEM ANOS POSTERIOR À REDACÇÃO DO NOVO TESTAMENTO. O estudioso alemão Gunter Wagner escreveu a obra definitiva sobre o cristianismo e as religiões de mistério. No seu trabalho, ele explica:

"O taurobólio no culto de Átis é atestado pela primeira vez no tempo de Antonino Pio, em 160 d.C.. Até onde nós podemos ver no momento, ele só se tornou uma consagração pessoal no começo do III século d.C. A ideia de um renascimento por meio do taurobólio surge apenas em exemplos isolados no fim do século IV d.C., não estando associado originalmente com esse banho de sangue."

 

Ronald Nash conclui a sua investigação neste assunto dizendo:

"Fica claro, então, que a ênfase do Novo Testamento no derramamento de sangue não deve ser localizada em qualquer fonte pagã. O ensino do Novo Testamento é melhor enquadrado no contexto do seu vínculo com o Antigo Testamento - a Páscoa e os sacrifícios de Templo."

 

Devido à data posterior do taurobólio, se qualquer empréstimo foi feito, nós suspeitamos que foi emprestado dos cristãos, e não pelos cristãos.

 

"Respostas Convincentes", págs. 182-184

No próximo post: Raízes míticas atribuidas à doutrina e práticas cristãs _ "O baptismo"

 

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