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Entenda a Palavra de Deus

Entenda a Palavra de Deus

Proposições do Evangelho

Vamos então delinear as proposições básicas da fé evangélica e mostrar o que se inclui e o que se exclui.

 

1. Afirmamos que Deus é Santo.

Isto significa que Deus é separado, distinto, puro e “completamente outro”, quer dizer, desassociado das suas criaturas. Porque é que essa afirmação é parte importante do evangelho? Porque se Deus não fosse santo, Ele poderia receber os pecadores sem qualquer sacrifício. Muitos livros populares sobre o tópico da espiritualidade dizem que qualquer um se pode chegar a Deus directamente, a qualquer hora e de qualquer forma. O deus apresentado é de facto diferente de nós; talvez seja um pouco mais poderoso, mas não é santo. Então, não há necessidade de tremermos na Sua presença. Não há necessidade de expiação. Logo, esse deus não é o Deus da Bíblia. E de igual modo, o deus da religião civil não é o Deus da Bíblia.

Depois do ataque terrorista de 11 de Setembro, os dizeres “Deus abençoe a América” espalharam‐se por todos os Estados Unidos. Muitos cristãs ficaram alegres por “Deus estar de volta” à vida americana. Convencidos? Não.

O que pensar do valor que se dá ao slogan “Deus abençoe a América” quando este se encontra na montra de uma loja que só vende livros e filmes pornográficos? Qual deus? Só se for o deus do hedonismo moderno, nunca o Deus que disse: “…para que sejais santos como eu sou santo”(Levítico 11:44‐45).

Negamos também que o Deus da Bíblia seja igual a Alá ou aos deuses do budismo e do hinduísmo, entre outras religiões. Negamos que seja possível alcançar Deus sem aceitarmos a justiça dele como nossa, conforme encontrada em Cristo.

 

 

2. Afirmamos que Jesus é Deus em carne.

Repare na advertência de João, o apóstolo do amor.

“Amados não creiais em todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: todo o espírito que confessa que Jesus veio em carne é de Deus; e todo o espírito que não confessa que Jesus veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há‐de vir, e eis que está no mundo.”(1 João 4:1‐3)

Outras passagens que afirmam a deidade de Cristo são encontradas em muitos lugares (João 1:1; Hebreus 1:8). Negar a deidade e a encarnação de Cristo é prova clara de heresia; porém, afirmar estas doutrinas não é propriamente prova de ortodoxia. Alguns dos que crêem nessas doutrinas ensinam a salvação pelas obras, ou acrescentam a justiça própria ao que Jesus realizou. Entretanto, ao afirmarmos a deidade de Cristo e a Sua encarnação, excluímos as outras doutrinas populares.

Negamos que Jesus de Nazaré seja distinto de Cristo; negamos que haja um Cristo gnóstico ou um Cristo universal que seja encontrado em todas as religiões. 

Também negamos a doutrina da Testemunhas de Jeová que ensinam que Cristo é um ser criado. Temos de rejeitar os ensinos do Seminário de Jesus, que afirma que Cristo é um mero homem.

Como sabes, essas doutrinas bíblicas colocam‐nos em conflito directo com o islamismo que ensina que a encarnação de Cristo é blasfémia. Quando falamos com muçulmanos, temos de nos lembrar de que a aversão que eles têm à encarnação está baseada na noção equivocada de que o cristianismo defende a trindade física. Para um muçulmano, quando afirmamos que Jesus é o Filho de Deus, estamos a dizer que o Pai teve relações sexuais com Maria e que o resultado desse relacionamento foi o “ Filho de Deus”. Devemos sempre ressaltar que cremos na trindade espiritual, não na física.

 

 

3. Afirmamos a expiação substitutiva.

Pedro escreveu: “Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar‐nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito”(1 Pedro 3:18). Isso significa que Cristo sofreu por nó na cruz para carregar sobre si o nosso pecado. Ele tomou sobre si a pena que merecíamos e pagou a dívida daqueles que tirariam proveito do Seu sacrifício.

Negamos que Deus possa salvar‐nos apenas porque nos ama, totalmente à parte do sacrifício de Cristo. 

Também negamos que haja outros mediadores entre nós e Deus, quer santos mortos quer anjos. E negamos que Maomé, Krishna, ou outro guru, mestre ou profeta seja qualificado para morrer em nosso lugar, e assim, levar‐nos a Deus.

 

 

4. Afirmamos que somos pecadores por natureza e por escolha.

Paulo escreveu: “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados” (Efésios 2:1). A nossa pecaminosidade impede todo o contacto com Deus por nossa própria iniciativa. Todas as nossas boas acções, ainda que inerentemente boas em si, estão manchadas pelo pecado. Somos incapazes de contribuir com algo para a nossa salvação.

Negamos todas as formas de salvação pelas obras, quer as que são encontradas no catolicismo quer nas religiões não cristãs.

Negamos a perfectibilidade da natureza humana e a crença de que Deus é obrigado a salvar‐nos por causa da nossa bondade inerente.

 

 

5. Afirmamos que o meio de receber a salvação é só pela fé.

“Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei” (Romanos 3:28). Segue‐se que a salvação tem de ser [e é] um dom gratuito, porque a justiça de que precisamos é a que não temos. Somos salvos ao recebermos Jesus como o Único que pagou a pena pelo nosso pecado.

Negamos que a salvação seja medida por sacramentos, pelo baptismo, ceia do Senhor e coisas semelhantes. Negamos que o dom da salvação se torne nosso através de um processo de cooperação entre nós e Deus.

 

6. Afirmamos que a certeza da salvação se dá por descansarmos na suficiência da obra de Cristo a nosso favor.

E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevi, para que saibais que tendes a vida eterna e para que creiais no nome do Filho de Deus" (1 João 5:11‐13).

Negamos que a certeza da salvação esteja baseada nas nossas obras, afirmamos que as nossas obras são apenas a evidência da fé salvífica.

Negamos que possamos ter garantia de salvação através de algum ritual da igreja ou por causa da nossa própria sinceridade e boas acções. Cremos que quando Jesus morreu e ressuscitou fez tudo o que é necessário para sermos recebidos na presença de um Deus Santo. Se aceitarmos o que Ele fez por nós, então, somos salvos e sabemos disso.

 

Baseado no livro: "Quem é você para julgar?"

Erwin W. Lutzer