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Entenda a Palavra de Deus

Entenda a Palavra de Deus

O que é que Cristo Realizou Realmente?

A expressão “expiação limitada” trata da pergunta: “Por quem é que Cristo fez tudo isto?” “Por quem é que Ele morreu?” “Ele expiou os pecados de quem?” “Em favor de quem é que Ele comprou os benefícios da salvação?”

Mas, por trás dessas perguntas sobre a extensão da expiação, está uma pergunta igualmente importante sobre a natureza da expiação. “O que é que Cristo realizou realmente na cruz em favor daqueles pelos quais Ele morreu?” Essa pergunta levar-nos-á a uma resposta mais exacta para as outras.

 

Se dissermos que Cristo morreu da mesma maneira por todos os seres humanos, então, teríamos de definir a natureza das expiação de uma maneira muito diferente do que faríamos se crêssemos que Cristo morreu de uma maneira específica por aqueles que realmente crêem. No primeiro caso, creríamos que a morte de Cristo não garantiu decididamente a salvação de ninguém; apenas tornou todos os homens salváveis, de modo que, alguma outra coisa seria decisiva para os salvar, ou seja, a sua escolha. Nesse caso, a morte de Cristo não removeu realmente a sentença de morte e não garantiu vida nova para ninguém. Em vez disso, ela apenas criou a possibilidade da salvação, que só seria tornada real por pessoas que proveriam a causa decisiva, ou seja, a sua fé. Se entendermos a expiação assim, a fé e o arrependimento não são dons de Deus, comprados por sangue para pecadores específicos, mas, em vez disso, são actos de alguns pecadores que tornam o sangue funcional para si mesmos.

 

Será que começamos a perceber quão intimamente esta doutrina da expiação está ligada à doutrina da graça irresistível?

Eu creio que o que o ensino da Bíblia diz é que a própria graça irresistível foi comprada com o sangue de Jesus. O novo nascimento foi comprado com sangue. A chamada eficaz foi comprada com sangue. O dom do arrependimento foi comprado com sangue, Nenhum destes actos da graça irresistível é merecido. Vêm a nós porque Cristo os adquiriu com o Seu sangue e a Sua justiça. Mas, isso significa que Ele não os adquiriu da mesma maneira para todos. Do contrário, todos nasceriam de novo, seriam chamados eficazmente e receberiam o dom do arrependimento.

 

Portanto, a questão experiencial e pessoal com a qual nos deparamos é: _ Cremos que Cristo obteve para nós a chamada decisiva, a vida e o arrependimento que temos agora? Ou cremos que temos em nós esses dons, de modo que aquilo por que Jesus morreu é contado como meu? Porque, se Cristo morreu da mesma maneira por todas as pessoas, a Sua morte não obteve infalivelmente a graça regeneradora, a fé e o arrependimento para aqueles que são salvos. Devemos ter-nos regenerado a nós mesmos (por nossa livre e espontânea vontade) sem o miraculoso comprar com sangue realizados por Cristo, devemos ter chegado à fé e ao arrependimento por nós mesmos, sem os dons da fé e do arrependimento comprados com sangue…

 

Noutras palavras, se cremos que Cristo morreu da mesma maneira por todos os homens, os benefícios da cruz não podem incluir a misericórdia pela qual somos trazidos à fé, porque, senão, todos os homens seriam trazidos à fé, mas eles não o são. Todavia, se a misericórdia pela qual somos trazidos à fé (graça irresistível) não faz parte do que Cristo comprou na cruz, somos deixados a obter de outra maneira a nossa libertação da morte, da cegueira e da rebelião. Somos deixados para criar, de outra maneira, o nosso próprio caminho para entrarmos na segurança de Cristo, visto que Ele não obteve esta entrada (novo nascimento, fé e arrependimento) por nós quando morreu.

 

Do livro: 5 Pontos

John Piper

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