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Entenda a Palavra de Deus

Entenda a Palavra de Deus

O Papel Crucial da Nova Aliança

O fundamento bíblico para dizermos que Cristo morreu não só para tornar possível a salvação para todos os que crerem, mas também para comprar a fé dos eleitos, é o facto de que o sangue de Cristo adquiriu as bênçãos da nova aliança para o seu povo. A fé dos eleitos e chamados de Deus foi comprada com “o sangue da [nova] aliança” (Mateus 26:28).

 

O ponto de vista arminiano apresenta os pecadores como necessitados da ajuda divina para crerem e isso é verdade. Precisamos de ajuda. No entanto, precisamos de muito mais ajuda do que a que o arminianismo propõe. No ponto de vista de Armínio, o pecador, depois de ser ajudado por Deus, provê o impulso decisivo. Deus dá-lhe apenas uma ajuda; o pecador decide. Assim, “o sangue da aliança” não garante decisivamente a nossa fé. A causa decisiva da fé é a autodeterminação humana. A obra expiatória de Cristo, dizem eles, estabelece esta possibilidade, mas não garante o resultado. Todavia, a nova aliança, comprada pelo sangue de Cristo, ensina algo muito diferente. Observemos e ensino da nova aliança, cujos termos Deus expressou por meio de Jeremias:

 

“Eis aí vêm dias, diz o SENHOR, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egipto; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o SENHOR. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas escreverei … Perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei” (Jeremias 31:31-34).

 

Um diferença fundamental entre a nova aliança prometida e a velha aliança feita “com seus pais” é que eles quebraram a velha aliança, mas na nova aliança Deus imprimirá neles a lei e escrevê-la-á no seu coração, para que as condições da aliança sejam garantidas pela iniciativa soberana de Deus. A nova aliança não será quebrada. Isso é parte do propósito de Deus. Ela faz reivindicações dos participantes da aliança, garante-as e preserva-as. Deus torna este facto ainda mais claro no capítulo seguinte de Jeremias:

 

“Dar-lhes-ei um só coração e um só caminho, para que me temam todos os dias, para seu bem e bem dos seus filhos. Farei com eles aliança eterna, segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim. Alegrar-me-ei por causa deles e lhes farei bem.” (Jeremias 32:39-41)

 

Deus faz. Pelo menos, 6 promessas neste texto:

1)      Farei com eles uma aliança eterna

2)      Dar-lhes-ei o tipo de coração que garante que me temerão para sempre

3)      Nunca deixarei de lhes fazer o bem

4)      Porei temor a mim no seu coração

5)      Não deixarei que se apartem de mim

6)      Alegrar-me-ei em lhes fazer o bem.

 

Aqui, em Jeremias 32, torna-se ainda mais claro do que em Jeremias 31 o facto de que Deus está a tomar a iniciativa soberana para garantir que a nova aliança seja bem sucedida. Deus não deixará no poder da vontade humana caída o obter e o preservar a sua permanência na nova aliança. Ele dar-lhe-á um novo coração _ um coração que teme o Senhor. Será decisivamente uma obra de Deus e não do homem. E Deus agirá nesta aliança para que “nunca se apartem de mim” (Jeremias 32:40). John Owen comentou: “Esta é, então, uma das principais diferenças entre as duas alianças _ aquela que o Senhor fez no passado exigia apenas a condição; agora, na nova aliança, Ele também a realiza em todos os participantes, aos quais esta aliança é estendida”.

 

Ezequiel profetizou da mesma maneira:

 

“Dar-lhes-ei um novo coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne” (Ezequiel 11:19)

 

Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis.” (Ezequiel 36:26-27)

 

Um coração de pedra não regenerado é a grade razão por que Israel não creu nas promessas de Deus, nem O amou de todo o seu coração, toda a sua mente e força. Se a nova aliança deve ser mais bem sucedida do que a velha aliança, Deus tem de remover o coração de pedra e dar ao seu povo um coração que O ama. Em outras palavras, Ele tem de tomar a iniciativa miraculosa para garantir a fé e o amor do seu povo. Isto é exactamente o que Moisés disse que Deus faria: “O SENHOR, teu Deus, circundará o teu coração e o coração da tua descendência, para amares o SENHOR, teu Deus, de todo o coração e de toda a tua alma, para que vivas” (Deuteronómio 30:6).

 

Na nova aliança, Deus promete tomar a iniciativa e criar um novo coração, para que as pessoas se tornem membros da nova aliança, por iniciativa d’Ele e não delas mesmas. Se alguém desfruta da participação na nova aliança, com todas as suas bênçãos, isso acontece porque Deus perdoou a sua iniquidade, removeu o seu coração de pedra, deu-lhe um coração sensível, que teme e ama a Deus, e fê-lo andar nos estatutos d’Ele.

Noutras palavras: a nova aliança promete a regeneração. Promete criar fé, amor e obediência onde antes havia apenas dureza.

 

Do livro: 5 Pontos

John Piper

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