Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Entenda a Palavra de Deus

Entenda a Palavra de Deus

Incondicionalidade em Romanos 9

Em Romanos 9, Paulo enfatizou a incondicionalidade da eleição. Nos versículos 11 e 12, ele descreveu o princípio que Deus usou na escolha de Jacó e não de Esaú: “E ainda não eram os gémeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela [Rebeca]: O mais velho será servo do mais moço”. A eleição de Deus é preservada em sua incondicionalidade porque foi realizada antes de sermos nascidos ou de havermos feito qualquer bem ou mal.

 

Sei que alguns intérpretes dizem que Romanos 9 não tem nada a ver com a eleição de indivíduos para os seus destinos eternos, mas apenas trata de pessoas em contexto de colectividade, no desempenho dos seus papéis históricos. Penso que isto é um erro, principalmente porque não se harmoniza com o problema que Paulo estava a abordar no capítulo. Você mesmo pode ver isso ao ler os primeiros cinco versículos de Romanos 9. Quando Paulo disse “E não pensemos que a Palavra de Deus haja falhado”, é claro que algo causou a impressão de que as promessas de Deus haviam falhado. O que foi?

 

A resposta é dada nos versículos 2 e 3. Paulo disse: “Tenho grande tristeza e incessante dor no coração; porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, segundo a carne”. A questão mais profunda que Paulo estava a tratar não era porque Israel, como nação, tinha este ou aquele papel histórico, e sim que indivíduos em Israel eram anátemas e separados de Cristo. Noutras palavras, destinos eternos individuais estão realmente em jogo. E a natureza do argumento de Paulo confirma isto, porque a primeira coisa que ele disse, para confirmar que a Palavra de Deus não havia falhado, foi: “Nem todos os de Israel são, de facto, israelitas” (Romanos 9:6) Ou seja, os indivíduos em Israel que pereciam nunca foram parte do verdadeiro Israel. Em seguida, Paulo mostrou como a eleição incondicional de Deus operava em Israel.

 

A incondicionalidade da graça electiva de Deus é enfatizada novamente em Romanos 9:15-16: “Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia”. A própria natureza da misericórdia que precisamos é uma que desperta e transforma a vontade. Nos post’s anteriores, concernentes à graça irresistível e à depravação total, vimos que somos incapazes de amar a Deus, confiar em Deus e seguir a Cristo. A nossa única esperança é misericórdia soberana e irresistível. Se isso é verdadeiro, o que Paulo disse nesta passagem faz sentido. Não estamos em condições de merecer misericórdia ou de exigir misericórdia.

 

Se tivermos de receber misericórdia, ela virá da resolução espontânea de Deus. Isso é o que Paulo estava a dizer: “Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia”.

 

Em Romanos 11:7, Paulo enfatizou outra vez a natureza individual da eleição dentro de Israel: “O que Israel busca, isso não conseguiu; mas a eleição o alcançou; e os mais foram endurecidos”. Portanto, em Romanos 9 a 11 Paulo admitiu que a eleição lida com indivíduos e com destinos eternos, e é incondicional. Há, eu creio, um pacto divino com o Israel corporativo, mas isso não contradiz nem anula a conotação individual e eterna de Romanos 9. O princípio de incondicionalidade é visto mais claramente em Romanos 9:11. Deus elegeu desta maneira _ “E ainda não eram os gémeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, …”.

 

Do livro: 5 Pontos

John Piper

Próximo post:Outra Afirmação Poderosa da Incondicionalidade