Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Entenda a Palavra de Deus

Entenda a Palavra de Deus

Entendendo Biblicamente o Dom das Línguas - 2ª parte

a) Limitações no entendimento:

 

Naturalmente, qualquer pessoa incrédula e mesmo alguns crentes que ouvem, acham que o falar em línguas é uma algaraviada. Na verdade, não há nenhum conteúdo inteligível nem para quem fala, nem para quem ouve.

 

No versículo 11, Paulo fala-nos da reacção daqueles que estão presentes, comparando-a com o relacionamento entre os gregos e os bárbaros. Os gregos orgulhavam-se  muito da beleza da sua língua e consideravam todas as outras línguas grosseiras e inferiores. Ou seja, para aqueles que ouviam a algaraviada das "línguas", estas soavam como se fossem a língua sem sentido dos bárbaros.

O que mais interessa a Paulo no contexto "igreja" é se o conteúdo pode ser entendido pelos demais crentes, pelos "interessados" e pelos de fora. Se for ininteligível, a sua prática deve ser restringida porque não contribui para a edificação dos que ouvem.

 

O ministério do Espírito Santo produz harmonia e não gritaria e confusão "Da mesma sorte, se as coisas inanimadas, que fazem som, seja flauta, seja cítara, não formarem sons distintos, como se conhecerá o que se toca com a flauta ou com a cítara?" (1 Coríntios 14:7) e capacita o povo de Deus para a batalha espiritual  "Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha?" (1 Coríntios 14:8).

Essas duas questões não podem ser camufladas, sendo, portanto, crucial canalizar o entusiasmo pelos dons espirituais para alvos construtivos: o zelo inato dos cristãos deve ser utilizado para a edificação da igreja "Assim também vós, como desejais dons espirituais, procurai abundar neles, para edificação da igreja." (1 Coríntios 14:12).

 

O procedimento correcto de quem fala línguas e deseja que esse dom seja usado para a edificação da igreja, é orar para que as possa interpretar "Por isso, o que fala em língua desconhecida, ore para que a possa interpretar." (1 Coríntios 14:13). Paulo não demonstra nenhum constrangimento ao dizer que a mesma pessoa dotada pelo Espírito primeiro fale numa língua e, então, imediatamente traga uma interpretação como resposta de Deus.

 

Paulo também insiste na necessidade de evitar situações em que algum participante do culto se sinta excluído, confuso ou perdido. Ele parece incluir aqui aqueles que não estão iniciados nos segredos das línguas "De outra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o que ocupa o lugar de indouto, o Amém, sobre a tua acção de graças, visto que não sabe o que dizes?" (1 Coríntios 14:16) e aqueles que estão a ser instruídos ou que estão a avaliar o compromisso cristão "Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos?" (1 Coríntios 14:23).

Por isso, porque a edificação da igreja era o alvo prioritário de Paulo, ele tomou a firme decisão de esperar que o Espírito o usasse no ministério às igrejas, por meio de revelação, ou de ciência, ou de profecia, ou de doutrina como ele mesmo diz: "E agora, irmãos, se eu for ter convosco falando em línguas, que vos aproveitaria, se não vos falasse ou por meio da revelação, ou da ciência, ou da profecia, ou da doutrina?" (1 Coríntios 14:6)

 

É por um desses meios que Paulo vai beneficiar genuinamente a igreja, independentemente de quantas línguas estranhas possa falar e, sabemos que ele falava mais línguas do que qualquer um dos irmãos como nos diz o versículo 18: "Dou graças a Deus, porque falo mais línguas do que vós todos".

Porque é que os líderes pentecostais de hoje promovem, incitam e se manipulam a "gritaria" no culto, quando vemos que Paulo orientou a igreja no sentido de não criar confusão nem escândalo? Porque é que ignoram o ensino do apóstolo?

"Todavia, eu antes quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida." (1 Coríntios 14:19).

E pior... Porque é que permitem manifestações ruidosas e ridículas em nome de um "deus" criativo? Porque é que permitem que as pessoas tenham comportamentos descontrolados quando a Palavra de Deus nos ensina que: "os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas. Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos." (1 Coríntios 14:32-33)?

Atribuir ao Espírito Santo um descontrole emocional evidente não será blasfemar d'Ele?

Será que os "super espirituais" que fazem questão de dar vazão às suas emoções durante os cultos públicos se preocupam com aquelas pessoas que estão na igreja pela primeira vez? Será que se preocupam com o que os incrédulos pensam quando vêm um cristão, ou vários, a miar, a correr e a dançar dentro da casa de oração, a rir descontroladamente, a balbuciar sons ininteligíveis e até a bater com os pés no chão tal e qual uma criança a fazer birra?

Não será hora de exigir aos coríntios do nosso tempo aquilo que Paulo exigiu aos de outros tempos?

 

10609691_856730517671496_5050362772201202282_n.jpg

 Maria Helena Costa