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Entenda a Palavra de Deus

Entenda a Palavra de Deus

Entendendo Biblicamente o Dom das Línguas - 1ª parte

Eu sei que este assunto não é fácil de abordar… Mas vou tentar expô-lo de forma bíblica porque esta é a única forma através da qual devemos olhar para o "dom das línguas".

 

Infelizmente, muitos cristãos, foram e são formatados para medir a espiritualidade de outros cristãos pela quantidade de sílabas incoerentes que gritam ou deixam de gritar, pelos tombos que dão, pelo barulho que fazem e, para "jurar a pés juntos" que todos os cristãos cheios do Espírito Santo  têm que falar em línguas e fazer figurinhas tristes, caso contrário, não O têm. FALÁCIA!

 

O pior é que, conforme a cisma acerca do dom das línguas se tornou, em tudo, igual à da igreja de Corinto, na qual ele era considerado acima de todos os outros dons pelos coríntios vaidosos e imaturos, muitos cristãos sinceros, amorosos e fiéis a Deus, sentem-se excluídos ou inferiorizados por o Espírito Santo não os fazer falar em línguas, por não terem o mesmo dom que os outros alardeiam, por não serem clones dos outros.

 

Claro que há sempre alguns "experts" com conselhos tão "sábios" e "bíblicos" como este: "_ Irmão, quando sentir um ardor no peito e a língua a entaramelar, não pare e verá que começa a  falar  em línguas!?"

 

Ardor? Entaramelar? Emoção? Miar? Ladrar? Bater os pés nos chão e bater as palmas num barulho infernal? Gritar descontroladamente? Rastejar? Rir descontroladamente? Dançar? Saltar? Correr?

 

Desculpem, mas isso não é o Espírito Santo!

Isso é a emoção levada ao limite e extravasada com a desculpa esfarrapada de que Deus é criativo… A Bíblia não nos fornece base para culpar o Espírito Santo pelo descontrole psicológico e emocional de pessoas que ainda não entenderam o que Paulo ensina à igreja.

 

É verdade! Deus, o Espírito Santo, é Criativo, mas não é um Deus de confusão e não é idiota. _ Miar? Bater com os pés no chão? Rir descontroladamente? Saltar? Gritar?

Para edificar quem? Para honrar quem? Ou, será que é apenas para escandalizar tantos?

 

Posso imitar perfeitamente aquilo que ouvi tantas vezes, posso deixar-me levar pela emoção e descontrolar-me, posso pular, correr, miar, bater palmas, falar línguas estranhas ao meu vizinho do lado, grunhir e… Não ter em mim nenhum fruto do Espírito Santo! Aliás, deixar-se levar pela emoção ao ponto de ridicularizar o dom do Espírito, escandalizar aqueles que vão pela primeira vez à igreja  e atrapalhar o culto a Deus, é uma clara demonstração da falta do fruto do Espírito.

 

O problema, é que eu tenho temor do Senhor e não me imagino a imitar o dom que o Espírito Santo dá a cada como Lhe apraz. Não me imagino a mentir para parecer mais espiritual aos que fazem questão de mostrar a sua muita espiritualidade através de comportamentos estranhos e questionáveis. Deus nos ajude a depender d’Ele e da Sua Soberania para tudo, e não de "línguas entarameladas" e "ardores no peito" (isso é uma crença mórmon)!

 

Aos promotores do: "_ E agora vamos todos falar em línguas!", como se o dom das línguas dependesse em algum momento do querer do homem, deixo umas perguntas:

 

_ Nas vossas Bíblias tem isto escrito? _ "E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Porventura são todos apóstolos? são todos profetas? são todos doutores? são todos operadores de milagres? Têm todos o dom de curar?  falam todos diversas línguas? interpretam todos?" (1 Coríntios 12:28-30)

 

Sabem qual é a resposta para cada uma das perguntas? _ NÃO!

 

_ E, já agora, só por curiosidade, porque insistem em permanecer no erros dos Coríntios e ignoram o ensino de Paulo que diz: "E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus." (1 Coríntios 14:27-28)

 

Será que os que falam em línguas ininteligíveis são mais espirituais do que Paulo, que disse:

"Todavia eu antes quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida. Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento. Está escrito na lei: Por gente de outras línguas, e por outros lábios, falarei a este povo; e ainda assim me não ouvirão, diz o Senhor. De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis. Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos?" (1 Coríntios 14:19-23)

 

Assim como em todos os fenómenos espirituais no contexto de Corinto, devemos ter o cuidado de não aceitar credulamente qualquer aparente falar-em-línguas como se fosse o dom de Deus. Não podemos ignorar que tal fenómeno era comum nas religiões de mistério da Grécia e que, ainda hoje é encontrado com frequência em diversas culturas e cultos de carácter pagão. Aliás, a igreja católica tem alguns católicos carismáticos que falam em línguas e alguns desses falantes vão ao ponto de afirmar que foi a Virgem Maria que lhes concedeu o dom do Espírito Santo. Complicado!

 

O dom de línguas deve ser sempre avaliado pelos critérios que Paulo nos ensina nos capítulos 12 e 14. Alguns comentaristas chegam ao ponto de afirmar que o "falar-em-línguas" moderno não tem nada a ver com o que o apóstolo Paulo nos diz nos capítulos 12-14, e atribuem o fenómeno a causas puramente psicológicas ou até mesmo a uma imitação satânica do verdadeiro dom bíblico.

 

Paulo ensina que Deus distribui os dons conforme Lhe apraz, apesar de ele, Paulo, afirmar que gostava que cada cristão de Corinto falasse em línguas (para edificação PESSOAL caso não houvesse interprete) e profetizasse (para edificação da IGREJA) "E eu quero que todos vós faleis em línguas, mas muito mais que profetizeis; porque o que profetiza é maior do que o que fala em línguas, a não ser que também interprete para que a igreja receba edificação." (1 Coríntios 14:5), todo o ensino do apóstolo nos mostra que a maior preocupação dele era a igreja como um todo e não o indivíduo. É por isso que ele destaca as limitações do falar em línguas no que concerne à edificação da igreja.

 

Dou graças a Deus porque o meu Salvador disse: "Pelos frutos os conhecereis!" e não: "Pelas línguas e comportamentos estranhos os conhecereis!" Infelizmente,  já vi muitos a falar em línguas estranhas (que ninguém entendia) a torto e a direito e… frutos do Espírito… nada. Aliás, só envergonhavam o nome do Senhor!

 

Nos próximos textos, Paulo apresenta-nos as três maiores limitações de falar em línguas, que se referem ao entendimento, à integridade pessoal e ao impacto sobre os de fora.

 

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 Maria Helena Costa