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Entenda a Palavra de Deus

Entenda a Palavra de Deus

E aqueles que nunca ouviram falar de Jesus?

«O Senhor olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos: não há quem faça o bem, não há sequer um.» (Salmos 14:2-3).
«Como está escrito:Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda;Não há ninguém que busque a Deus.
Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis.Não há quem faça o bem, não há nem um só. [...] Porque TODOS PECARAM e destituídos estão da glória de Deus;» (Romanos 3:10-12; 23).

 

Hoje, a fim de chamar a atenção para a urgência de pregar o evangelho, publiquei este pensamento do David Platt no meu mural:

 

«Se me perguntarem: 'Aquele homem inocente na África que nunca ouviu o evangelho, para onde é que ele vai quando morrer?' Eu direi aquilo que a Escritura ensina claramente: que ele, definitivamente, vai para o céu.  O problema, é que tal homem não existe. O próprio motivo de ele precisar do evangelho é porque ele é culpado, e não inocente.»

 

E, lá choveram os comentários de amigos que acham que Deus, porque é amor, tem que salvar todos os que nunca ouviram o evangelho porque, segundo a sua justiça própria, se não o fizesse, seria injusto. Até parece que todos os homens caminham para o céu na sua ignorância e Deus, aquEle "malvado", não os deixa prosseguir... Mas não é isso que acontece!

 

Para provar a sua tese, um desses amigos invocou as palavras do apóstolo Paulo em Romanos 2:12-15 «Porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados. Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados. Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os; no dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho.» (Romanos 2:12-16) e, baseado no versículo 16 (15 em algumas traduções) afirmou que o apóstolo diz que aqueles que nunca ouviram o evangelho, seriam salvos pela obediência à lei escrita nos seus corações. Mas, não! Não é isso que Paulo ensina. 


Antes de expor o que Paulo realmente ensina, convém saber que a epístola aos Romanos é UMA carta que começa no cap. 1, termina no cap. 16 e deve ser lida no seu todo. O tema principal da carta é a justiça proveniente de Deus: a verdade gloriosa de que o Senhor justifica os pecadores culpados e condenados somente pela graça, só por meio de Cristo. Os capítulos 1_11 apresentam as verdades teológicas da doutrina: (1:18:32), a ira de Deus contra a humanidade pecadora; (2:1-16), a universalidade do pecadora; (3:9-20), os princípios do julgamento divino; (3:21 - 4:25), uma exposição da defesa da justificação pela fé; (5:1-11, a certeza da salvação; (5:12-21), a transferência do pecado de Adão; capítulos 6_8, a santificação [...]

Paulo está justamente a dizer que os gentios que nunca tiveram a oportunidade de conhecer a lei moral de Deus serão julgados pela sua desobediência de acordo com o seu conhecimento limitado «Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles FIQUEM INESCUSÁVEIS;» (Romanos 1:19-20). Enquanto isso, os judeus e os gentios que tiveram acesso à lei moral de Deus pela lei serão julgados porque possuem maior conhecimento (Mateus 11:20-23). Mesmo sem conhecer a lei escrita de Deus, as pessoas, geralmente, valorizam e tentam praticar os seus princípios básicos. É normal que as culturas valorizem, instintivamente, a justiça, a honestidade, a compaixão e a bondade para com os outros, reflectindo a lei divina gravada no coração. A prática de algumas boas acções, bem como a aversão que as pessoas sentem pelos maus demonstram um conhecimento inato de Deus _ um conhecimento que, na verdade, testemunhará contra elas no dia do juízo (Romanos 1:21). No capítulo 1 e 2, Paulo afirma que os judeus (que conhecem a Lei) são culpados e que os gentios (que não a conhecem) também o são e que ambos - judeus e gentios - serão condenados pelo juízo de Deus.  

 

Se Paulo tivesse afirmado que os que não conhecem o evangelho serão salvos pela sua ignorância, jamais poderia dizer: «Por isso NENHUMA CARNE SERÁ JUSTIFICADA DIANTE DELE PELAS OBRAS DA LEI, porque pela lei vem o conhecimento do pecado.» (Romanos 3:20); «Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto PELAS OBRAS NENHUMA CARNE SERÁ JUSTIFICADA. [...] E é evidente que PELA LEI NINGUÉM SERÁ JUSTIFICADO diante de Deus, porque o justo viverá pela fé. » (Gálatas 2:16; 3:11).

 

Posto isto, lembrando que Deus promete revelar-se a quem O buscar de todo o coração, alma e entendimento (Deuteronómio 4:29), e porque eu sei que as pessoas que não são cristãs e mesmo os cristãos novos na fé podem ficar confusos e até tristes com o facto de a Bíblia afirmar que, fora de Cristo, não há salvação para aqueles que (achamos nós) nunca ouviram falar de Cristo, há alguns pontos importantes para reflectirmos:

 

1- A Bíblia diz-nos que as pessoas rejeitam o conhecimento de Deus que se faz presente na natureza e nos seus próprios corações, e que, em lugar de adorarem o Deus vivo e verdadeiro, decidem adorar um “deus” segundo a sua imaginação. É tolo debater a justiça de Deus em enviar alguém para o inferno por nunca ter tido a oportunidade de ouvir o Evangelho de Cristo. As pessoas são responsáveis perante Deus pelo que já lhes foi revelado por meio da criação e no seu próprio coração. Como Paulo ensina, elas rejeitam esse conhecimento e Deus é justo em condená-las ao inferno.

 

2- Se acreditarmos que aqueles que nunca ouviram o Evangelho serão agraciados com a misericórdia de Deus, vamos cair num dilema terrível: Se as pessoas que nunca ouviram o Evangelho forem salvas, que direito temos nós de as condenar ao pregar-lhes o Evangelho que, caso rejeitem, as enviará para o inferno. Se a ignorância acerca do evangelho e da Pessoa de Cristo garantem a misericórdia de Deus e a salvação dessas pessoas que nunca ouviram falar de tal coisa, pregar-lhes o evangelho pode condená-las.

 

3- Portanto, o «Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.» (Marcos 16:15), seria uma sentença de morte para aqueles que estavam salvos antes de ouvir o evangelho e de  o rejeitar. Mas não é isso que Jesus afirma: «Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo [porque ele já está condenado], mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê JÁ ESTÁ condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.» (João 3:17-18).

 


4 - Porque é que correríamos o risco de que pessoas rejeitem o Evangelho e se condenem, quando anteriormente já eram salvas porque nunca tinham ouvido o Evangelho?

Se alguém fosse salvo devido á sua ignorância, que sentido fariam estas palavras de Jesus: «Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.» (João 3:3)?

 

Termino, descansando na certeza de que Deus é justo, santo e bom e que ninguém será condenado injustamente!

 

Deus vos abençoe,

Maria Helena Costa

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