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Entenda a Palavra de Deus

Entenda a Palavra de Deus

Como florescem as heresias - A Prosperidade do AT para os Crentes do NT

Os falsos mestres que poluem as igrejas [congregações] não negam abertamente os ensinos da Bíblia. Se eles fizessem isso, o número daqueles que os segue e que os sustenta diminuiria drasticamente. Então, para angariar prosélitos, eles ignoram as passagens bíblicas que não se ajustam a questões como: unidade, prosperidade e revelação especial.

Eles proclamam que a desunião é o maior de todos os pecados e gritam o slogan populista: “Jesus disse: Não julgues!”, o que abre caminho para que todas as aberrações doutrinárias,´possíveis e imaginárias, tenham permissão para florescer. Todo aquele que se levanta em nome da sã doutrina e denuncia os seus enganos é imediatamente tachado como caçador de heresias e evitado como se tivesse lepra. Assim, as vozes tão necessárias são reduzidas ao silêncio.

_ Como é que os falsos profetas podem enganar tantos “evangélicos” e levá-los a unir-se pelas suas causas?

A resposta é simples. Eles adoptam princípios de interpretação que lhes permitem usar a Bíblia como se fosse plasticina e dar-lhe a forma que mais convém às suas concupiscências.

Em vez de seguirem os sãos princípios de interpretação, eles distorcem as Escrituras tal e qual como Pedro adverte "Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição." - 2 Pedro 3:16

Quais são os princípios errados?

 

A Prosperidade do Antigo Testamento para os Crentes do Novo Testamento

Os falsos profetas pegam nas promessas de bênçãos do Antigo Testamento dadas a Israel e aplicam-nas directamente à Igreja do Novo sem fazer muito esforço.

É verdade que no Antigo Testamento havia uma forte ligação entre a obediência do povo e a promessa de que a terra produziria boas colheitas e riqueza. Hoje, porém, esta ligação já não existe porque Deus não está a tratar com o Seu povo tendo como base uma nação geográfica.

Ele escolheu, comprou e remiu um povo proveniente de todas as nações do mundo para proclamar o Seu nome, e formou um novo corpo: a Igreja da qual Cristo é a cabeça.

No Novo Testamento, as promessas de bênçãos espirituais são dadas aos que permanecem fiéis ao Senhor. Não há promessas de riquezas materiais ou de saúde perfeita. Na realidade, o que é prometido aos cristãos é _ pobreza, perseguição e provações _ nada que o próprio Senhor Jesus não tenha experimentado.

Devíamos corar de vergonha quando dizemos que pertencemos a Cristo e só O buscamos para nos dar bens materiais … Algo que Ele nunca prometeu aos que redime.

Os falsos profetas desconsideram essas distinções importantes. Os pregadores da saúde e da prosperidade dizem aos seus seguidores [alimentadores] que eles têm todo o direito de esperar bênçãos materiais _ sobretudo, se estiverem dispostos a enviar grandes ofertas em dinheiro ao “evangelista” como um sinal da sua fé.

Um certo tele-evangelista afirmou que, se as pessoas lhe enviassem os extratos dos seus cartões de crédito estourados, ele queimá-los-ia e Deus, milagrosamente, livrá-los-ia das dívidas. Eu pergunto:

_ Porque não podemos endividar-nos e viver faustosamente?

_ Para que é que precisamos de fazer um plano para pagar a quem devemos?

_ Para quê tomar decisões difíceis a fim de equilibrar o orçamento?

_ Se Deus nos livra das dívidas a pedido de um “evangelista famoso e rico”, porque não trocar já o carro velho por um novo?

 

O mais incrível no meio destas falcatruas, é que aparecem sempre uns testemunhos a afirmar que, de repente, caíram do céu aos trambolhões uns cheques chorudos para pagar integralmente hipotecas e outras dívidas. Sinceramente? Não me admira nada que um tele-evangelista que vê a sua conta bancária multiplicar-se a cada programa de TV, envie uns quantos cheques anónimos a algumas das suas vítimas para credibilizar o negócio! Afinal, é apenas um investimento em algo que lhe rende milhões e que não lhe custou nada…

“Deus vai livrar-te das dívidas _ se estiveres disposto a enviar ao ‘evangelista’ o teu ‘penhor de fé’. “Afinal”, dizem eles: “Se tu plantares a semente, a colheita é certa!”

 

A qualquer cristão temente a Deus, conhecedor das Escrituras e do seu ensino, que se levante para questionar este falso ensino é dito:

“_ Quem és tu para dizer o que Deus pode, ou não pode fazer?”

A questão não é o que Deus pode ou não fazer, mas sim, se Ele prometeu fazer isso e se temos o direito de insistir para que Ele cumpra uma promessa que nunca nos fez.

Usando como máscara alguns textos bíblicos selecionados, sem princípios sãos de interpretação, todos os desejos de prosperidade e de saúde são mascarados com versículos da Bíblia. Os ensinos do Novo Testamento são ignorados a favor da síndrome “Jesus quer que tu sejas próspero [rico]!” Claro que estes “evangélicos” descartam o Antigo Testamento quando o assunto é a Lei, mas imediatamente o adoptam quando o assunto é prosperidade financeira?!

Este ensino nefasto ajusta-se na perfeição às aspirações materialistas da maior parte do povo. As palavras do falso profeta e os ouvidos comichosos das pessoas estão em perfeita sintonia.

Nos últimos séculos, os cristãos discutiam se os ricos podiam ser salvos ou não… Entretanto, os falsos profetas dos nossos dias, não só respondem um rotundo “sim” à pergunta, como acrescentam que é propósito de Deus que todos sejam ricos.

_ Adeus à pobreza de Jesus! (provocada pelo Diabo?)

_ Adeus às gerações de fiéis que “andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados” (Hebreus 11:37). (Talvez por não terem um tele-evangelista famoso?)

_ Adeus à fé de milhões de cristãos que hoje definham nas prisões, incapazes de arranjar comida para os seus filhos famintos. (Será por não terem dinheiro para enviar aos tele-evangelistas famosos?)

Bem-vindo ao mundo dos profetas contemporâneos! Alguém disse:

“Temos vacas para nos dar leite; ovelhas para nos fornecer lã; e agora temos Deus para satisfazer todos os nossos desejos!”

 

Adaptado do livro: "Quem é você para Julgar?"

Autor: Erwin W. Lutzer