Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Entenda a Palavra de Deus

Entenda a Palavra de Deus

Apocalipse 3:20 - “irei a ele…” - O Uso Correcto

“… virei a ele …”

Umas das maiores e mais amadas realidades da nova Aliança é que Cristo habita no seu povo. Ele é o nosso verdadeiro Emanuel até ao fim dos tempos. Quando a Escritura refere que Cristo habita no crente, não está a falar de modo poético ou metafórico, mas sim a ressaltar uma realidade verdadeira para todo o filho de Deus. Na sua carta à igreja de Colossos, o apóstolo Paulo, refere-se a Cristo em nós como o verdadeiro fundamento da esperança do crente para a glória futura. A habitação de Cristo pelo Espírito, que produz vida espiritual interior bem como uma transformação exterior discernível, assegura ao crente que ele pertence a Cristo e que tem a melhor de todas as razões para esperar a glória final que ainda está para vir.

A habitação de Cristo no crente, pelo Espírito, não é algo secreto ou limitado a uma impressão mística; é uma realidade discernível o observável. Cristo promete habitar em todo aquele que O recebe pela fé, no entanto, é preciso reafirmar que a evidência da fé, a prova de que O recebemos, será a Sua operação activa em nós, conformando-nos à Sua imagem, uma transformação gradual, que perdura, naquele que confessa o Seu nome.

Jesus disse: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada” (João 14:23)

 

Não! Jesus não está a ensinar que a Sua habitação no cristão se baseia na magnitude do amor que o crente tem por Ele, nem na eficácia da obediência do crente a Cristo. Amar a Cristo e guardar a Sua palavra não granjeiam a Sua habitação, mas demonstram que Ele habita no crente. Sabemos que nascemos de novo e que somos habitação de Cristo pelo Espírito porque temos um amor por Ele que antes não existia, e demonstramos um novo relacionamento com a Sua palavra, marcado por uma obediência crescente ao seu ensino.

O ensino bíblico contrasta fortemente com a ideia popular de que as pessoas conseguem ficar firmes sobre a sua esperança de salvação, simplesmente porque, uma vez, fizeram a oração do pecador e pediram a Jesus para entrar nos seus corações. Elas acreditam que estão salvas só porque oraram e pediram com sinceridade, ainda que não haja qualquer evidência externa de que Cristo habita no seu interior. Isto é muito mau, porque trata a habitação de Cristo no crente como algo passivo, sem poder, indiscernível. A salvação torna-se em nada mais do que um bilhete de entrada para o céu, sem a expectativa de que ela tenha um efeito discernível sobre o carácter da pessoa ou na sua relação com Deus.

Essa interpretação pode ser popular, mas não tem fundamento na Escritura. Ainda que uma pessoa possa experimentar uma segurança cada vez maior quando considera a sua experiência de conversão, tal consideração não é o único factor que determina a validade da sua profissão de fé em Cristo.

Existem outros factores importantes e indispensáveis, como a obra contínua de Deus que produz santificação na vida do crente: um aprofundamento do arrependimento, o crescimento da fé, um apreço cada dia maior por Cristo, e uma submissão mais profunda à Sua vontade.

Continua:

Adaptado do livro:

O Chamado ao Evangelho e a Verdadeira Conversão

Paul Washer