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Entenda a Palavra de Deus

Entenda a Palavra de Deus

Apocalipse 3:20 - “… e cearei com ele, e ele comigo ...” - O Uso Correcto

“… e cearei com ele, e ele comigo …”

 

Uma das maiores promessas do evangelho é a comunhão com Cristo… No entanto, essa promessa maravilhosa parece ter ficado esquecida diante de um benefício mais desejável: a auto preservação do pecador. Hoje, as pessoas são estimuladas a pedir a Jesus que entre o seu coração para que eles obtenham a promessa de uma vida melhor neste mundo, e evitem o sofrimento eterno no mundo por vir.

Ainda que essas promessas sejam válidas, quando lhes damos uma prioridade maior do que aquela que damos à promessa de comunhão com Cristo, elas distorcem o evangelho. Isto é uma contradição com o significado de vida eterna conforme Jesus via: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 6:44).

 

O Diabo discerniu correctamente quando declarou que uma pessoa faria qualquer coisa para salvar a própria pele “[…] Pele por pele, e tudo o que o homem tem dará pela sua vida.”(Jó 2:4)

Ela faz uma oração, frequenta uma igreja, envolve-se no culto religioso e até se pode oferecer como mártir. Porém, o ser humano depravado não foi transformado de maneira tão radical a ponto de estimar a Cristo e de desejar ter comunhão com Ele. Isso requer a obra sobrenatural do Espírito de Deus. A oferta de uma vida melhor ou de alegria eterna, atrairá muitas pessoas carnais, mas a oferta de comunhão com Cristo, só atrairá aqueles a quem Deus chamar: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.” (João 6:44)

 

Como cristãos e ministros do evangelho, temos de nos lembrar de duas verdades importantíssimas quando utilizamos Apocalipse 3:20 para compartilhar Cristo com os outros:

Primeiro: Temos de exaltar a Cristo e demonstrar o Seu valor aos que nos ouvem, para que, acima de tudo, eles desejem ter comunhão com Ele. Embora o evangelho contenha inúmeros benefícios que devemos tornar conhecidos, temo de proclamar Cristo como o principal e mais valioso do que a soma de todos os outros benefícios. Na verdade, devemos esforçar-nos para mostrar ao pecador que, à luz de Cristo, todos os demais benefícios são de pouco valor ou consequência.

O que é que podemos oferecer que se compare a Cristo?

Será que devemos deixar esse tema de lado para falar de coisas menores a fim de atrair pessoas carnais, que preferem comer na pia dos porcos em vez de se banquetear à mesa do Senhor?

Se o nosso tema principal for a beleza de Cristo e a glória do seu evangelho, pode ser que atraiamos menos pessoas, mas, o que vierem não o farão em vão. Pelo Espírito de Deus, eles virão por causa de Cristo, e permanecerão por causa d’Ele. Ainda que todas as promessas de prosperidade e de alegrias terrenas pareçam faltar, elas permanecerão no caminho porque tiveram um vislumbre do Cristo glorioso, e consideraram tudo o mais como lixo quando comparados a Ele (Filipenses 3:7-8).

 

Segundo: Temos de usar este texto para mostrar que a evidência de que uma pessoa abriu a porta a Cristo, e experimentou a verdadeira conversão, é que ela continua em comunhão com Ele. Jesus prometeu: “Virei a ele e cearei com ele, e ele comigo”. Aqui, Jesus ensina a verdade vital  de que o resultado da Sua habitação no novo crente será o começo e a continuação de uma comunhão real, que perdura, entre Cristo e a pessoa. Esta é uma das marcas da verdadeira conversão. Temos a certeza de que Cristo nos salvou e habita em nós por causa da comunhão mútua: Ele ceia connosco, e nós ceamos com Ele.

É de extrema importância perceber que esta promessa de comunhão permanente não declarada como uma mera possibilidade, mas sim como uma realidade certa _ como algo que acontece efectivamente na vida de todo o cristão verdadeiro. Cristo não promete apenas continuar em comunhão com o verdadeiro convertido, Ele também promete que, ao habitá-lo, ele atenderá  ao que Ele quer. Claro que isto não significa que o crente se manterá sempre no curso sem falhar, nem que a sua dedicação a Cristo nunca arrefecerá. Mas que dizer que a vida do crente será marcada por uma comunhão real e visível com Cristo. A sua segurança da salvação não estará fundamentada apenas numa oração feita há muito tempo, mas sobre uma relação permanente e mútua com o Cristo vivo.

 

Continua:

Adaptado do livro:

O Chamado ao Evangelho e a Verdadeira Conversão

Paul Washer