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Entenda a Palavra de Deus

Entenda a Palavra de Deus

Aos Santos em Cristo Jesus

 

 

"Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus, inclusive bispos e diáconos que vivem em Filipos, graça e paz a vós outros, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo" (Fp 1: 1, 2)

 

Dirijo-me a todos os evangélicos, desejoso de que a saudação contida no texto acima encontre guarida nos seus corações. No entanto, é necessário que reflitamos no referido texto, crendo que nosso Senhor Jesus Cristo nos dará compreensão e a experiência da graça e da paz!

 

Ora, Paulo, o real autor da carta aos filipenses, no momento que a escreveu estava preso e acorrentado a soldados especiais, que eram os da guarda pretoriana! Mas, apesar disso, vemo-lo cheio de contentamento, a ponto de desejar aos seus irmãos, que estavam livres ou fora da cadeia, o que ele e Timóteo experimentavam abundantemente - "graça e paz"! Ora, qual é o segredo de tal experiência?

 

1. Paulo e Timóteo eram conscientes do privilégio que é ser escravo de Cristo Jesus. Vejo isso pelo facto de eles terem se apresentado como "servos de Cristo Jesus". Ora, isso é da máxima importância, uma vez que eles dois se rendiam, não a homem algum, mas à vontade dAquele que, dos céus, domina sobre tudo (cf. Fp 2). Por essa razão, Paulo não considerava a sua prisão como proveniente de César, o imperador, pois disse: "as minhas cadeias em Cristo" (Fp 1:). Também, Paulo pode dizer que seu viver era Cristo (Fp 1: 21); sua fortaleza era Cristo (Fp 4: 13); sua alegria estava em Cristo (Fp 4: 10); e, seu morrer era lucro, por ser Cristo seu tudo! Oh! Que grande privilégio é servir a Cristo Jesus! E nisso está a abundante graça!

 

2. Como "servos de Cristo Jesus", quer presos quer soltos, Paulo e Timóteo alegremente serviam aos que seu Senhor conquistou para Si, a saber, "todos os santos em Cristo Jesus". Muito se poderia escrever sobre isso, mas uma das maiores provas da amorosa disposição de Paulo para servir a seus irmãos pode ser vista quando ele se encontrou num santo dilema. Ei-lo: Depois de ter afirmado: "Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro", e mais: "estar com Cristo [...] é incomparavelmente melhor", Paulo declarou cheio de amor: "Mas, por vossa causa. É mais necessário permanecer na carne. E, convencido disto, estou certo que ficarei e permanecerei com todos vós, para o vosso progresso e gozo da fé" (Fp 1: 21-26). Em outras palavras, mesmo esmagado pelos dois desejos, preferiu servir aos irmãos, deixando de querer o que seria incomparavelmente melhor, para ele. Afinal, seu amor por Cristo o levava a servir "os santos em Cristo Jesus", para que, disse ele: "aumente, quanto a mim, o motivo de vos gloriardes em Cristo Jesus, pela minha presença, de novo, convosco" (v. 26). E quanto a Timóteo, o que pode ser dito? Basta que tomemos as doces palavras de Paulo acerca de Timóteo, e isso será o bastante para demonstrar quanto ele servia a Cristo servindo os santos em Cristo Jesus: "Porque a ninguém tenho de igual sentimento que, sinceramente, cuide dos vossos interesses; pois todos eles buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus. E conheceis o seu caráter provado, pois serviu ao evangelho, junto comigo, como filho ao pai. Este, com efeito, é quem espero enviar, tão logo tenha eu visto a minha situação" (Fp 2: 20-23).

 

Oh! Quanta "graça" havia nesses dois servos de Cristo Jesus! E quanto eles, na medida em que serviam os santos em Cristo Jesus, gozavam "paz"!

 

3. Paulo e Timóteo criam ser também "santos em Cristo Jesus". Antes de serem servos de Cristo Jesus, eles foram "chamados para [ser] santos" no sentido de "separados para dedicação ou devoção a Deus"; mas, sobretudo, foram feitos santos no maravilhoso aspecto da sua nova natureza. Daí, o uso que Paulo fez da expressão "em Cristo Jesus", para definir e qualificar o vocábulo "santos". Neles, pois, habitava o Espírito Santo, o regenerador e santificador do povo de Deus. O Espírito que fora enviado em nome do Pai e do Filho, a fim de glorificar o Filho. Por isso, Paulo e Timóteo criam que, sendo Jesus "santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus" (Hb 7: 26), e que tendo "oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados [...] aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados" (Hb 10: 12, 14). Por esta razão, Paulo e Timóteo, sendo "santos em Cristo Jesus", procuravam "ser achados em Cristo Jesus" para mais e mais "alcançar" o alvo para o qual foram conquistados por Cristo Jesus, a saber, a perfeição em Cristo Jesus. Em outras palavras, eles se esforçavam para experimentar o que disse o apóstolo Pedro: "antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2Pe3: 18).

 

Espero que tenham percebido como "exagerei" no uso da expressão "Cristo Jesus". Por que o fiz? Porque devemos estar certos de que nossa maior necessidade é ter a Cristo Jesus como nosso tudo! E se quisermos ver esta atitude em Paulo, basta que observemos que ele usou o Nome do Senhor Jesus, nos dois versículos do nosso texto, três vezes!

 

Assim, caro leitor, se você já crê no glorioso evangelho de Deus, com respeito ao Seu Filho, Jesus Cristo, lembre duas coisas: Primeiro, a graça do Senhor Jesus lhe foi abundante, pelo que você nasceu de novo, tendo sido feito um dos "santos em Cristo Jesus". Segundo, lembre que é vital que a graça do Senhor Jesus continue operando para que os "santos em Cristo Jesus" vivam a vida cristã de modo a glorificar a Deus em Cristo Jesus. E é somente pela operação da graça de Deus em Cristo Jesus, que é Seu favor beneficiando os santos em Cristo Jesus, que eles servirão a Cristo Jesus, servirão aos demais no Senhor Jesus. E assim, "a Paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus"!

 

 

Jaime Marcelino

Editora Fiel

 

GRAÇA COMUM

Quando algum de nós peca, merece uma coisa: separação eterna de Deus. Nós merecemos ficar privados de experimentar quaquer coisa boa de Deus e viver para sempre no inferno, recebendo apenas a Sua ira eternamente. Como diz Romanos 6:23 "Porque o salário do pecado é a morte,". Mas o castigo pelo pecado não é sentido imediatamente. Em vez disso, toda a humanidade _ não importa se finalmente vai receber a graça de Deus ou o juízo de Deus _ vai continuar recebendo muitas bençãos enquanto está na terra.

Às vezes essas bençãos são físicas. Jesus diz em Mateus 5.45 que Deus "faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos". O Criador do universo empenha-se para que todas as pessoas _ as que crêem em Jesus e as que rejeitaram as suas afirmações _ recebam da abundância da sua terra.

A graça de Deus também pode ser vista no âmbito intelectual. Embora Satanás seja "mentiroso e pai da mentira" e nele não haja verdade (João 8.44), mesmo os que rejeitam as afirmações de Jesus não são totalmente entregues à falsidade e irracionalidade. Em vez disso, muitas pessoas que claramente rejeitaram a Deus fizeram descobertas e invenções incríveis. Elas fizeram-no não sabendo que estavam a ser iluminados por Jesus, "... a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem ..." João 1.9. Quando nos beneficiamos desses progressos, beneficiamos-nos, basicamente, da graça comum de Deus.

Essa graça comum pode ser vista em muitas outras áreas da vida: o âmbito moral (as pessoas não são tão más como poderiam ser), o âmbito criativo (podemos tanto produzir quanto apreciar muitos diferentes tipos de coisas boas e belas), o âmbito societário (muitas comunidades, instituições e governos protegem e dão provisão para os seus membros e cidadãos), e mesmo o âmbito religioso (Jesus diz aos seus seguidores em Mateus 5.44 que orem por seus perseguidores, mostrando que Deus responde a muitas orações que são feitas para benefício dos incrédulos).

Embora a graça comum não salve as pessoas, o facto de Deus adiar o seu julgamento permite que muitas pessoas encontrem a salvação: "O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se." (2 Pedro 3:9). Essa graça comum já demonstra a grande medida da bondade e misericórdia de Deus para com toda a humanidade. O Seu derramamento contínuo de bênçãos sobre todas as pessoas vai caracterizá-Lo como justo no dia do juízo quando Ele finalmente castigar os que O rejeitaram. Por fim, como em todas as coisas, o facto de Deus derramar a Sua graça comum sobre todas as pessoas demonstra a Sua glória por meio da imitação do carácter d'Ele por parte delas em suas muitas actividades. Por isso, podemos apreciar e desfrutar das manifestações da graça de Deus por meio de todas as pessoas, reconhecendo que no fim das contas, Deus merece o louvor e a glória por essas bênçãos. 

 

É TUDO GRAÇA

A doutrina da eleição demonstra-nos que Deus nos amou, não pelo que somos, pelo que temos feito ou faremos, mas simplesmente porque Ele decidiu amar-nos. Portanto, a nossa resposta adequada a Deus é dar-Lhe louvor por toda a eternidade. A nossa resposta apropriada aos outros é humildade, visto que individualmente não temos direito a porção alguma da graça de Deus _ tudo é dádiva d'Ele.

 

Fonte: Entenda a Fé Cristã

Wayne Grudem 

DEUS QUER QUE TODOS SE SALVEM?

Se a eleição é verdadeira, então Deus ainda assim quer que todos sejam salvos? Sim, de acordo com alguns trechos da Bíblia. Em 1Timóteo 2.4, Paulo escreve acerca do nosso Deus e Salvador, "Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade." Pedro diz a mesma coisa em 2Pedro 3.9, quando escreve que o Senhor " é paciente para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se."

Enquanto é verdade que as pessoas discordam acerca da interpretação desses versículos, a maioria vai concordar, depois de boa reflexão, que há algumas coisas que Deus deseja mais do que outras. Às vezes, as pessoas que não concordam com a doutrina da eleição dizem, com base nesses versículos e em outros, que Deus deseja preservar a livre vontade do homem mais do que deseja salvar todas as pessoas. Mas as pessoas que apoiam a doutrina da eleição vão dizer que Deus deseja promover a Sua glória mais do que Ele deseja salvar todas as pessoas, e que trechos como Romanos 9 indicam que a Sua glória é promovida pela salvação de algumas pessoas, mas não de todas. (Os cristãos nos dois lados do debate concordam em que nem todos serão salvos.) Como, então, podem ambos os lados dizer que Deus deseja que todos sejam salvos, de acordo com versículos como 1Timóteo 2.4 e 2Pedro 3.9? Esses versículos dizem-nos o que Deus ordena que o Seu povo faça e que acções O agradam (ou seja, arrepender-se e crêr em Cristo). Nesse sentido Ele realmente "deseja" e "quer" que todos sejam salvos. Isso é o que às vezes é chamado se Sua vontade revelada, o que Ele diz que todos na terra devem fazer. Mas esses versículos não estão falando dos planos divinos secretos e ocultos desde a eternidade de escolher algumas pessoas para serem salvas.

O facto de que nem todos serão salvos é uma das doutrinas de mais difícil consideração das Escrituras. A Bíblia indica que até Deus sente grande tristeza quando Ele pensa naqueles que não serão salvos: "Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que razão morrereis, ó casa de Israel?" (Ezequiel 33.11). Quando Jesus pensou nas pessoas que O rejeitaram  em Jerusalém, "chorou por ela (pela cidade)" (Lucas 19.41), e disse: "Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste! " (Mateus 23.37). E o apóstolo Paulo diz: "Que tenho grande tristeza e contínua dor no meu coração." (Romanos 9.2), quando ele pensa sobre os seus irmãos e irmãs judeus que rejeitaram a Cristo. O amor que Deus nos dá pelos outros seres humanos e o amor que Ele ordena que tenhamos pelo nosso próximo causam-nos grande tristeza quando percebemos que nem todos serão salvos. E mesmo assim o castigo de pecadores é uma expressão justa e imparcial da justiça de Deus, e não pensaríamos que isso é errado.

Além disso, inúmeras bençãos nesta vida, que não fazem parte da salvação, são dadas por Deus a todos os seres humanos. Essa doutrina às vezes é chamada de "graça comum" porque se refere à manifestação da graça de Deus que é comum a todas as pessoas e é diferente da graça salvadora de Deus.

 


Do livro: Entenda a Fé Cristã

Wayne Grudem

SERÁ DEUS REALMENTE JUSTO?

Nesse ponto, algumas pessoas vão objectar que, se a doutrina da eleição é verdadeira, então Deus não é realmente justo. Visto que Deus escolhe alguns para serem salvos e ignora os outros, decidindo não os salvar, a Sua graça é concedida de forma bastante injusta.

É importante entendermos o que realmente é "justo" com respeito à salvação. Na verdade, seria perfeitamente justo se Deus não salvasse nenhum ser humano que pecou e se rebelou contra Ele, assim como Ele fez com os anjos: "Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo;" (2 Pedro 2:4).

Mas se Ele salva um ser humano, isso então é demonstração de graça, que vai muito além das exigências de equidade e justiça. Se Deus salvasse somente cinco pessoas dentre toda a raça humana, isso seria misericórdia e graça. Se Ele salvasse cem pessoas, isso seria misericórdia e graça extraordinária. Mas, na verdade Ele decidiu salvar "... uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, ... (Apocalipse 7:9). Isso é misericórdia além da nossa compreensão.

Paulo suscita essa questão num nível mais profundo em Romanos 9. Depois de dizer que Deus "tem misericórdia de quem quer e endurece a quem quer" (Romanos 9:18). Paulo escreve: "Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua vontade?" (Romanos 9:19). Em essência, Paulo está verbalizando uma pergunta muito comum: se o destino final de cada pessoa é determinado no fim das contas por Deus, então como isso pode ser justo? Mesmo quando as pessoas fazem escolhas voluntárias, determinando se elas vão ser salvas ou não, quando na verdade, de alguma forma, Deus está por trás dessas escolhas, então como é que Ele pode ser justo?

Aqui está o que Paulo diz:

"Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou, Os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?" (Romanos 9:20-24).

Paulo está dizendo essencialmente que há um ponto além do qual não podemos responder a Deus nem questionar Sua justiça. Deus fez o que fez de acordo com a Sua vontade soberana. Ele é o Criador; nós somos as criaturas e, tudo considerado, não temos fundamento para O acusar de parcialidade ou injustiça. A nossa reacção a essas palavras em Romanos revela muito sobre o nosso coração e a nossadisposição de submeter-nos ao nosso Soberano Criador.

 

 

Fonte: Entenda a Fé Cristã

Wayne Grudem

SOMOS VERDADEIRAMENTE LIVRES?

Muitos crêem que, se a doutrina da eleição é verdadeira, então nós não somos livres. A dificuldade dessa maneira de pensar é que muitas e diferentes definições e pressuposições cercam a palavra "livre", e essas diferenças fácilmente levam a mal-entendidos e discordâncias. Nesse caso, é útil usar outro termo, e não "livre", para transmitir mais cuidadosamente o que queremos dizer. Por exemplo, a Bíblia apela à nossa capacidade de fazer escolhas voluntárias centenas de vezes (Ap 22:17; Mt 11:28). Encontramos na Palavra de Deus muitos versículos concernentes ás "escolhas voluntárias" e também ordens que nos instruem a responder e obedecer. Não somos forçados a fazer escolhas contrárias à nossa própria vontade. Em última hipótese, fazemos o que desejamos fazer. Fazer escolhas é parte do que significa ser um ser humano feito à imagem e semelhança de Deus, pois imitamos a própria actividade de Deus de decidir fazer coisas que estão em concordância com o Seu carácter.

Mas isso significa que Deus não teve nada a ver com as nossas escolhas? Queremos insistir em que Deus, o nosso Criador infinitamente poderoso e sábio, não pode influenciar, moldar e formar o nosso coração e desejos de acordo com o Seu plano?

De facto, se Deus opera por meio dos nossos desejos e escolhas para realizar o seu plano, isso preserva a nossa capacidade de escolher voluntáriamente enquanto, ao mesmo tempo, garante que nossas escolhas estarão de acordo com o que Deus decidiu e determinou que aconteceria.

Por isso, se reagimos ao convite de Cristo de forma positiva, podemos honestamente dizer que nós escolhemos responder e obedecer a Cristo enquanto também dizemos que isso foi (de forma que não conseguimos entender plenamente) ordenado por Deus. Se não conseguimos entender plenamente como essas duas coisas podem ser verdadeiras ao mesmo tempo, então precisamos reconhecer que há um mistério aqui. Nesta era, ao menos, não podemos captar plenamente esse mistério. E, mesmo que não consigamos entendê-lo, devemos pelo menos empenhar-nos em falar da maneira que a Bíblia fala acerca do assunto em todos os aspectos do seu ensino.

Ademais, Deus também nos criou para que as nossas escolhas sejam escolhas reais. No entanto, as nossas escolhas não precisam estar absolutamente livres de qualquer envolvimento de Deus para serem escolhas reais e voluntárias. Tomemos mais um exemplo: embora façamos a escolha de rspirar muitas vezes ao dia, Deus, como nosso Criador e Sustentador, está intrinsecamente envolvido connosco nessa decisão, pois Ele "faz todas as coisas segundo o desígnio da sua vontade" (Efésios 1:11), e Cristo está contínuamente "sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder" (Hebreus 1:3).

E o que acontece com os que não crêem? aqueles a quem Deus não "elegeu" ou escolheu? A Bíblia nunca coloca culpa alguma em Deus pelo facto de qualquer pessoa rejeitar as afirmações de Cristo. A ênfase está sempre nas escolhas voluntárias daqueles que se recusam a crêr, e a culpa por sua incredulidade é deles. Como Jesus disse em João 8.43-44: "Porque não compreendeis a minha mensagem? É porque não suportais ouvir a minha palavra. O vosso pai é o Diabo, e quereis satisfazer-lhe os desejos". A alguns que O rejeitaram anteriormente Jesus disse: "Não quereis vir a mim para terdes vida!" (João 5.40). E, em Romanos 1.20, Paulo diz que todos os que rejeitam a revelação clara de Deus dada a toda a humanidade "são indesculpáveis". Esse é um padrão consistente nas Escrituras: pessoas que permanecem na incredulidade fazem-no porque não estão dispostas a vir a Deus, e a culpa por tal incredulidade sempre é dos próprios incrédulos, nunca de Deus. Repetindo, nós provavelmente não seremos capazes de entender plenamente nesta era como isso pode ser assim.

 

 

 

Fonte do texto:

Entenda a Fé Cristã

Wayne Grudem